sexta-feira, julho 23, 2010

Caracóis, pedras, montanha e floresta



Eu tinha anotado no roteiro, " desenhar Lia escorregando numa montanha imaginária", ou seja, tentava dar uma cena pronta para o leitor. Mas, assim que fiz o primeiro esboço, senti que a ilustração estava pobre. Algo não me agradou. O que não ia bem? Tentei outra cena, a menina num barco e ondas, de nada adiantou. Cheguei a pensar, será que a história não está pronta ainda? Até que me lembrei... Uma criança sabe que pedra pode ser uma montanha, e matinho pode ser uma floresta. Por que não desenhar tudo bem simples? Tentando captar os gestos naturais de uma criança. E uma pedra, simplesmente como é. O texto fala de uma montanha, o desenho é uma pedra. Aí, tudo se amarrou. Nessa história não entra o maravilhoso, apenas o imaginário das crianças, os dois personagens sérios nas suas brincadeiras.
Sempre gostei de usar muito branco, neste livro eu abusei. Essas imagens não estão inteiras, são recortes, para não estragar a supresa.

quinta-feira, julho 22, 2010

capa do livro novo


O estudo da capa feito pela editora Global ficou assim. E o livro está quase pronto, acho que vai dar tempo para a Bienal.

Revista Ilustrar

Descobri que existe uma revista muito bacana, idealizado e dirigido por Ricardo Antunes, ilustrador e designer. Você pode fazer um downloud e ler as matérias. E a revista nº 9 traz uma matéria sobre o mestre Massao Okinaka e o sumi-ê. Tem também uma entrevista com a Catia Chien na revista nº 4.
Segue o link
http://www.revistailustrar.com

sexta-feira, junho 25, 2010

Susan Varley- do sketch para arte final
















Susan nasceu em 1961, na cidade de Blackpool, Inglaterra. Cursou design gráfico no Manchester Polytechnic Institute, quando produziu o seu primeiro picture-book como projeto de conclusão do curso. No primeiro e no terceiro ano, ela teve como orientador o Tony Ross (autor/ ilustrador de vários livros), quem sugeriu incorporar os traços do seu skecth no seu estilo. Comenta a artista que, antes, pensava no rafe apenas como um processo anterior à arte final; por isso mesmo, o encontro com Tony Ross foi um dos mais significativos na sua formação como ilustradora. A escolha da história, " Badger's Parting Gifts", também veio pela sugestão do seu mestre.
Ao optar por um texto a ser trabalhado, ela define o personagem, desenhando-o várias vezes, depois vem o cenário quase como um complemento. Leva mais ou menos um mês para realizar o rascunho de um livro e uns 3 meses para a finalização. Os traços são em bico de pena e a pintura em ecoline bem aguada, com várias sobreposições.
Susan conta que, apesar de ter a autoria das palavras do seu primeiro livro, delega essa etapa aos profissionais. Ou seja, faz uma parceria com um escritor que elabora o texto inspirando-se nas suas imagens, ou nos seus personagens. Mas o resultado final se transforma, às vezes distanciando-se da idéia inicial. Ela também ilustrou textos que recebeu dos editores. Pelo jeito, ela gosta de utilizar animais para representar pessoas. The Monster bed, Why the sky is blue?, Spring Rabbit, estão entre as obras dessa autora.

(baseada numa entrevista para a revista Moe, Japão, 1997)

terça-feira, junho 22, 2010

Coisas da roça


Uma criança me perguntou "sumiê só pode ser em pincel?" Respondi que sim, afinal, é uma técnica de pinceladas (entre outras características ), mas logo emendei " Você pode usar a simplicidade do sumiê em qualquer material". Eu mesma venho misturando o sumiê com o grafite, os capins ficam com jeito meio descabelado, que me lembra a roça. Falando em roça, também tenho desenhado muitas galinhas. Elas estarão bastante presentes nas minhas histórias.


segunda-feira, maio 31, 2010

Boa notícia


"O violoncelista" (SM), conto de Kenji Miyazawa, recebeu o selo "Altamente Recomendável FNLIJ" na categoria tradução. Selecionar, traduzir do original em japonês e ilustrar foi um desafio e aprendi muito com essa experiência. Claudia Mesquita, editora e tradutora, fez uma edição bastante cuidadosa. Compartilho a boa notícia com os meus amigos.

segunda-feira, maio 24, 2010

Um convite diferente


Lia e Nico recebem um convite diferente. É a menina quem lê para o irmão o que está escrito numa enorme folha deixada na porta da casa deles. Uma festa? Eles adoram festa. Mas precisam se apressar, porque no convite não vem nenhum horário, apenas diz que será Antes da chuva. E esse é o título do outro livro que sai pela Editora Global.

sexta-feira, maio 21, 2010

Uma corrida diferente



Os caracóis não vão devagar? Bem devagar? E podem apostar corrida, assim, tão devagar? O livro se chama "Corrida dos caracóis". Quando mostrei os rascunhos para a minha irmã, ela logo reconheceu e comentou — Ah, a nossa brincadeira de infância!
Contei para as crianças que eu brincava de apostar corrida com os caracóis, eles se espantaram — Caracóis de verdade?— e não foi uma turma só que perguntou. De verdade, sim, os bichinhos deixavam a baba pelo caminho que cintilava. Só que eles não tinham muita noção de direção, eu acho. Ou tinham? A maneira deles? Aí é que entra a história.

quinta-feira, maio 20, 2010

Próximos livros


Essas duas crianças, que espiam pela janela, são Lia e Nico, meus personagens dos próximos livros que saem no segundo semestre pela editora Global. Por enquanto serão duas histórias, muito simples, inspiradas naqueles momentos mágicos em que o tempo parece parar. Já terminei as artes, em grafite e aquarela, em breve contarei mais. E ia me esquecendo, o cachorrinho chama-se Mamona.



Chegada do Muli


Ainda não havia contado, Muli chegou. E chegou com uma supresa, cresceu de tamanho. Ou melhor, o formato do livro aumentou. Gostei de ver o Vale bem mais amplo. Lembrei que foi bastante divertido desenhar esse cenário com as casas, os apartamentos, as pedras de vários formatos... onde moram os monstrinhos.


sexta-feira, fevereiro 05, 2010

canto da calçada


















Esses capins despontam nas calçadas do meu bairro, aqui e ali.

sábado, janeiro 30, 2010

Encontro com Dachenca


































O meu encontro com Dachenca aconteceu durante a "Primavera do Livro", já faz um tempinho. E foi o próprio tradutor e editor, sr. Gabor Aranyi, quem me vendeu o livro. Tanto a cachorrinha Dachenca, quanto a sua história, escrito por Karel Capek (tem um acento de um ^ invertido no C), me encantaram. Tive vontade de ter mais exemplares, presentear amigos e liguei para a editora. O próprio sr. Aranyi atendeu. "Pode vir comprar aqui que lhe dou um desconto". Fui. Bem perto de onde moro. Numa ruazinha calma, bairro da Praça da Árvore, uma casa simples. Um jardim na frente, um portãozinho de madeira como a do interior. E no portãozinho, vejo um bilhete. " JÁ VOLTO". Depois de uns 5 minutos, lá vem o sr. Aranyi, carregando um saquinho de compras. Essa cena não dá uma boa crônica? Enquanto não escrevo, quero apresentar DACHENCA. Agora, passados uns 6 ou 7 anos, vi o livro exposto na livraria em destaque.

sábado, agosto 22, 2009

O incío de Binette Schroeder

















Essa autora é nascida em 1939, na Alemanha, e seus livros foram publicados em vários países. Em 1969 ela chegou na feira de Frankfurt, na estande da North-south books com os seus projetos. E disse ao editor que se a resposta dele for "não" iria desistir. Mostrou umas obras quase prontas como picture-books e mais duas imagens que viriam a ser o seu primeiro livro " Lupinchen". Antes, ela tinha visitado várias estandes, mas ninguém olhara com atenção para dois desenhos soltos. Justamente os que esse editor gostou e pediu que voltasse com a história no dia seguinte. Ela passou a noite construindo a narrativa. E assim aconteceu a sua estréia.

Quando perguntada se teria alguma dica para os jovens, Binette diz:
" Se for um estudante, não tente mostrar tanto o seu estilo ou gosto, o melhor é experimentar de tudo e aprimorar a técnica. Durante o período de estudos, construir bem a base. Ao se formar (ela se refere à uma boa formação, pois comenta que numa das faculdades de artes que frequentou, o aprendizado foi nulo), esquecer a escola e experessar seus pensamentos e sentimentos, livremente. "

E mais um comentário dessa autora —" Eu sofri por muito tempo, era bastante complexada. Mas entedi que mostrar o meu defeito era libertar-me. Um dia, cortei o cabelo bem curto e deixei visível as orelhas enormes que eu detestava. E, aos poucos, fui me aceitando da forma como sou..." — a princípio pode parecer não ter nada a ver com elaboração de livros, escrever histórias, ilustrar... no entanto, sinto que tem tudo a ver.

A foto é da artista no seu atelier (da revista MOE, de 1988).

Um universo que nos captura


























Vou citar algumas das frases de Binette Schroeder, as que me tocam de alguma forma:
" Por algum motivo, redescobrir uma vivência da infância é uma felicidade para o artista. Reencontrar um tesouro enterrado dentro de si e poder expressá-lo, isso pode ter uma grande força de comunicação com a criança."
"Não vejo necessidade de, racionalmente, buscar um tema; e sim, capturar uma história que chega naturalmente."
"Um desenho não pode ser apenas aparentemente bonito, precisa do brilho que vem do seu interior. Uma maçã não é simplesmente algo vermelho num galho, mas aquilo que cresce arredondado pela luz e pela sombra. Digo, deve-se desenhar com amor."

Sobre o livro "The Frog Prince", Binette comenta que demorou 3 anos para realizá-lo. Somente após entender melhor a reação da princesa e do sapo, do ponto de vista psicológico, é que a graciosa princesa surgiu para ela, pronta para ser pintada.
No momento de desenhar, ela imagina um grande vazio na sua frente, uma luz iluminando o espaço como num palco. E nesse clima meio solitário espera que algo aconteça, um pequeno episódio, uma história, uma aventura...

As imagens são dos livros "Florian and Tractor Max" e " The Frog Prince" um conto de Grimm.

segunda-feira, julho 13, 2009

Ação em cena


























Helme Heine é um dos autores de picture book que encanta a muitos. E a mim também. No seu depoimento, fala da atração que ele sente pela construção da narrativa — "Não adianta apenas imagens para ser um picture book, é preciso construir uma história que traz um sentido, considero um desafio "escrever" para alguém que pode ainda não conhecer as letras... a simplicidade é algo difícil de se alcançar". E guardei, principalmente, essas frases — "Eu penso que um picture book se aproxima mais de um teatro que de literatura, a história é construída como num roteiro, é uma narrativa que acontece representada em cena. Um picture book é semelhante ao teatro, cinema ou musical. "
E para quem quer seguir nessa arte, Helme Heine dá um conselho— " Não apenas estudar a técnica de desenho, mas pensar sobre o que quer representar. O que é exatamente colocar uma imagem num livro? E não esquecer que, ser como uma criança e ser infantil é muito diferente. " (da entrevista para a revista MOE, 1988,Japão)