quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Minhas histórias caipiras


Este ano eu tenho várias novidades. E uma boa parte tem a ver com o meu lado caipira.

"O ogro e as galinhas"(no prelo - ed. SM) foi inspirado na minha vivência de roça. Faz quase dez anos que tenho essa história escrita, mas só uns dois anos atrás consegui desenhar os personagens e montar o boneco.
Contando um pouco do que se trata —Laura e Carlinhos são surpreendidos com uma ideia que teve o "fiscal". Ele decidiu que as galinhas não iriam mais ficar tão soltas, pois isso dificultava o trabalho. Mas as crianças não gostaram nada dessa ideia e acabam tendo uma outra ideia...

O avô da história foi inspirado no meu avô de verdade, que vivia cheio de ideias e essas ideias interferiam nas minhas tarefas e brincadeiras.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

A VISITA















A VISITA ficou com esta cara. O menino espia, por trás do ipê, com cara de espanto. O que acontece mais adiante? Neste livro, para não perder a expressão do personagem, evitei ao máximo o processo de passar a limpo.

domingo, janeiro 09, 2011

Revista Ilustrar-20


Saiu a Revista Ilustrar- 20. Para quem tem muitas perguntas sobre como montar um Portfólio, Renato Alarcão fala justamente sobre isso.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

A VISITA para 2011


No ano anterior, finalizei as ilustrações de alguns livros que já estavam em formato de boneco. "A VISITA" sai pela editora DCL. É uma história inspirada num período vivido em Asahi. Já falei desse lugar? Se alguém chegasse para nos visitar, a primeira coisa que encontrava era a porteira. Por ali passaram muitas visitas. Alguns vinham a cavalo, burrico, ou a pé... Se a visita chegava em Kombi, eu pensava, será o "mascate"? , um vendedor ambulante. Se era uma perua rural, igual ao nosso, devia ser algum amigo do meu pai. Se era um fusca, eu achava que a visita vinha da cidade e era chique. De qualquer forma, adorava visitas. Trazia alguma novidade. Gostava de ouvir o barulho do carro parando perto da porteira.
"A VISITA"é um livro narrado só por imagens.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Becos de Goiás Velho




Entre todos os becos, este foi o que mais me agradou. Estreito, de ladeira, em curva... Não encontrei outro tão interessante, desenhei-o do alto e de baixo.



Quando já ia embora, lembrei de registrar o nome. Não achei a placa. Então, voltei para o restaurante onde tinha almoçado e perguntei.
— Qual o nome daquele beco?
Um senhor de cabelos e barbas brancas, não sei se era freguês ou o dono, explicou.
Como o beco faz uma curva, o pessoal aproveitava para fazer suas necessidades. E disso surgiu um nome.
Será verdade? Deve ser um nome popular... Achei pitoresco e acabei não confirmando o oficial. E registrei no caderno — BECO DO MIJO.

domingo, dezembro 26, 2010

Outra casa em Goiás



De início, quando passei em frente, o que me chamou atenção foi apenas a cor forte da janela. Fui subindo, dei uma volta pela praça e na volta olhei para a casa outra vez.
Aí, achei que daria uma composição bacana, incluindo as duas árvores. O que mais me agradou no conjunto foi a passarela de pedrestres (que não aparece na foto) fazendo uma leve curva, assim como o telhado.

Casa rosa de Goiás



Encanto a primeira vista. Ao longo de um beco estreito, dei de cara com ela. Toda rosa. E me pareceu abandonada. Mas, os detalhes me fizeram perguntar. Quem teria morado aí? Contemplado a paisagem por essas janelas, espiado o movimento pelos desenhos da porta? Ou talvez ainda more, quem sabe?
Desenhar nas ruas do centro velho de Goiás é bem tranquilo ( menos no feriado e dias de festas, segundo os moradores, época que chegam mais turistas). Foi só sentar na calçada e começar a rabiscar, um sossego. De vez em quando passava alguém, e se estava de guarda-chuva era perfeito para completar a cena.

A casa de Cora Coralina

A casa de Cora Coralina se olha no espelho.
_ A casa sempre foi assim? - perguntei a um morador que chegou a conhecer a poeta.
_ Não se falava em restauro naquela época. - foi o que ele me respondeu.
Desenhei a casa de vários jeitos, me agrada ela bem de frente, mas aí não aparece a ponte que dá um outro charme...foram seis desenhos, do lado de fora.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Caipirices


Lembrar é bom, é uma forma de saber da nossa identidade. E fico contente quando consigo colocar essas coisas dentro do livro. Por exemplo, o forno. Construído pelo meu avô, em tijolo, depois pintado de cal branco. A lenha ia dentro, queimava até virar brasa. E quando atingia uma alta temperatura, essa brasa era varrida para fora com vassourinha de galhos de alecrim. Um cheiro gostoso de erva se espalhava pelo quintal.
Lembro que minha mãe usava o forno para assar biscoitos de maizena e manjus (doce japonês). Vez ou outra, a vizinha vinha emprestar o forno, assava pães. Deixava sempre um para nós, embrulhado em pano de prato feito de saco de açúcar, alvo, bordado. Pão gordo, casca grossa, macio por dentro.
Mas, nessa época, sem saber apreciar as coisas boas da roça, queria pão da cidade, pão de padaria, casca fina e quebradiça, embrulhado num papel.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Para os leitores da Folhinha


Escrevi um texto para a Folhinha e sai neste sábado, dia 11. Falo de alguns seres que eu acho encantadores. Misteriosos, sapecas, maus ou atrapalhados... E lembrei até de alguns episódios engraçados quando criança, umas curiosidades. Quem quiser conhecer é só acessar http://www1.folha.uol.com.br/folhinha

Recebi janelas e poemas














Ontem recebi um belo presente. Vinte janelas, dentro de um envelope também com pintura de janela. Treze delas foram pintadas por Neide Santos e sete pelo seu professor Miguel Bertollo. Surpresa e alegria, porque, segundo conta a autora, tudo começou com uma releitura de uma janela que eu fotografei durante um passeio pela cidade de João Pessoa.
Aqui estão algumas delas que agora viajam por aí, espalhando sua magia, seus segredos e cores. E abaixo três dos poemas que as acompanham, no verso dos postais.


JANELA DE OUTRORA

Essa janela quebrada
desbotada pelo tempo
esconde segredos.

CASA PORTUGUESA

Uma janela romântica,
azulejos na parede.
É uma casa portuguesa,
com certeza.

JANELA E LIBERDADE

Na minha infância,
As janelas significavam libertação.
Na maturidade,
momento do fazer artístico.


Todos os poemas são de autoria de Neide Santos.
Conheça também os seus ensaios em: nastrilhasdaliteratura.blogspot.com

domingo, novembro 28, 2010

Brincando com pinceladas

A equipe da Folhinha gravou um vídeo bem bacana — é para a garotada brincar com as pinceladas do sumiê. Quem não tiver um pincel japonês, nem a tinta sumi (para caligrafia oriental), pode improvisar um pincel que tenha ponta, usando guache ou aquarela (nanquim não é adequado por ser muito líquido), num papel jornal ou papel sulfite comum. É só entrar no: http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/836017-aprenda-a-fazer-desenhos-com-tecnica-de-pincelada-japonesa.shtml

Boas pinceladas!

quinta-feira, novembro 11, 2010

Texto para livros ilustrados?

Durante algumas discussões com amigos ilustradores, surge a pergunta — Podemos pensar em criar textos específicos para livros ilustrados? Ou para picture books? Nas entrevistas com autores estrangeiros, eu li vários depoimentos que poderiam responder a essa pergunta.
Helme Heine (autor ilustrador alemão), disse que num picture book a imagem tem que ser forte como num teatro Kabuki e o texto suscinto como num haikai.
Chihiro Iwasaki (autora japonesa de ehon, 1918-1974) disse que gosta de contos com textos enxutos como numa poesia e que deixam espaço para a imaginação, sem demasiada descrição, de que forma a princesa se veste, qual a sua feição e outros detalhes. Se entrar uma velhinha andando devagar, prefere que essa situação não esteja totalmente fechada. Mas ela acrescentou que, mesmo tendo descrição, alguns contos de Andersen a instigam muito. Desenhou várias vezes a menina dos fósforos, as princesa, as bruxas, e por mais que desenhasse, o prazer de continuar a tentar outras formas se mantinha.
Quando o ilustrador é o autor do texto, durante a própria construção, pode-se cortar palavras, ou alterar imagens. E escrever consciente de que esse livro será ilustrado? Em países onde o picture book é uma tradição, isso parece ser uma prática comum. Susan Varley, autora de Badger's Parting Gifts, comentou que um profissional da área, criou os textos para as histórias vividas por seus personagens.
E, no Japão, existem muitos escritores que conhecem bem a linguagem do ehon (picture books) e escrevem para esse fim. Acredito que a revista Kodomo no Kuni, iniciado na década de 20, tenha dado um impulso nesse sentido.
Link

segunda-feira, novembro 01, 2010

LIA e NICO ouvem música







Lia, Nico, mais o cachorrinho Mamona se aventuram um pouco pra lá do jardim. E chegam ao lago, onde uma surpresa os espera — o coral bem afinado.
Antes da Chuva (Global) é o segundo título da coleção Lia e Nico, que já está em produção.

domingo, outubro 24, 2010

Cantiga japonesa

Encontrei um site muito interessante de uma Revista Infantil do Japão, que fez sucesso — Kodomo no kuni — teve a primeira publicação em 1922. É possível ver algumas ilustrações feitas para poemas e cantigas.
Não deixe de ouvir a cantiga e ver a bela ilustração. Mesmo não entendendo as palavras, dá para sentir a sonoridade.