terça-feira, setembro 16, 2008

O processo de criar

Estou tentando montar um boneco (lay-out do livro), um projeto que eu vinha escrevendo o texto há um certo tempo. Ao juntar as primeiras imagens, já vi que posso cortar quase metade das palavras. Não é só uma questão de cortar. Uma imagem pede uma outra frase, preciso rever tudo. E o desenho das personagens? A técnica... aquarela ou guache? Colorido, preto e branco, ou uma mistura? E dá uma vontade de tomar um café, ver se tem e-mail, papear com alguém; seria bom se ficasse com vontade de arrumar a casa, mas isso não acontece. Quem sabe procurar uma outra idéia... um outro projeto não será mais fácil? Assim acontece sempre. Mas, talvez o prazer esteja justo nesse desafio.

sábado, agosto 30, 2008

Ilustrações












Para o livro "O caminho das asas"(2007) de Fabrício Conde.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Imagens da Bienal




















Este ano, tive muitas surpresas boas durante a Bienal de São Paulo. Vejam, eu e minha irmã Emília em frente ao painel gigante da Editora Cortez. No Salão de Idéias, conheci a Fernanda Takai e o Ricardo Soares foi quem conduziu a conversa; e no "Espaço Universitário", apesar de esperarmos o mediador que não apareceu, eu e as profªs Célia Sakurai e Maria L. Eiko Hatanaka nos viramos para falar um pouco sobre a Imigração Japonesa.
Participei também do "Sarau Jabuti", a intermediação foi do poeta e jornalista Heitor Ferrraz, com quem fiz uma oficina de poesia, uns dois anos atrás. Assisti em seguida ao bate-papo com a Angela Lago, essa autora que tanto admiro. Na foto abaixo, na estande da DCL, a Kiara pronta para a hora do conto. Divertidíssima. E, domingo, último dia do evento, ouvi o escritor Luiz Ruffato falar sobre Cataguases, seu tempo de trabalho como operário, início de sua carreira e o seu processo de criação.

segunda-feira, julho 28, 2008

Um livro maravilhoso

Foi recomendação da Eva Furnari. Assim que o adquiri, li sem pausa, li três vezes A Extraordinária Jornada de EDWARD TULANE .
Na rua Egito, Edward, um coelho de porcelana que pertence à uma menina, vive uma vida tranqüila, admirando a sua própria imagem. Um dia, ele se perde e começa a sua jornada, encontra personagens diversos que faz do livro um dos melhores encontros para o leitor.
A autora é Kate DiCamillo, a mesma de Despereaux e O Tigre, também ótimos livros, editados no Brasil pela Martins Fontes.

quarta-feira, julho 09, 2008

Um clássico




Recebi o livro, Oshaberi na tamagoyaki, de Teramura Teruo e Cho Shinta. Traduzi o título para o português e ficou Ovo estrelado tagarela. A primeira edição foi em 1972 (fukushima-kan, Tóquio). Começa assim:

É uma história de um certo rei, de um certo reino. Todas as manhãs, terminada a refeição, o rei vai até a"Sala dos Cumprimentos". As pessoas do castelo esperam o rei para cumprimentá-lo. E quando o rei chega na "Sala dos Cumprimentos" — Trerrrtet Trorrrot prurrrrup taahhh — toca a trombeta.
Primeiro, é o ministro quem cumprimenta:
— Majestade, bom dia. Parece muito bem, isso é ótimo.
— Ah, sim.
Em seguida, a vez do comandante dos guardas do castelo.
— Majestade, bom dia. Os guardas estão todos bem e protegem o castelo.
— Ah, sim.
A seguir, vem o professor de "estudos".

Entendi porque virou um clássico e as crianças continuam gostando tanto. Esse rei cumpre os cerimoniais, assim como a criança que precisa cumprir alguns deveres no dia a dia. Ou seja, o autor colocou no rei, características que uma criança se identifica de imediato. Quando o cozinheiro vem cumprimentá-lo, o rei faz o pedido do seu jantar — ovo estrelado, que é servido com salada, sopa, maçã, morango, café, leite, biscoitos, chocolate e... chicletes! Mais adiante, esse rei termina a lição da manhã, abre um enorme bocejo, sai para dar uma volta no castelo e diz:

— Brincar é o mais divertido... Bem, vamos dar uma corrida por todo o castelo.

E, nesse passeio, uma travessura — o rei solta todas as galinhas. E se diverte vendo os guardas correndo atrás das galinhas, sem contar para ninguém que foi ele quem as deixou escapar. Mas, quando ele vai comer o ovo estrelado, esse ovo fala, revelando o que o rei tenta esconder. Será que a galinha guardou o segredo do rei dentro do ovo?

sábado, junho 21, 2008

Uma cena e Três desenhos




Acho que todo autor gosta de saber quais as passagens do livro que os seus leitores mais gostaram. Às vezes tenho essa resposta pelos trabalhos realizados nas escolas. Cada criança escolhe uma cena. Entre muitas imagens, selecionei três que representam a mesma cena do livro" Lin e o outro lado do bambuzal". Lin, filhote de raposa transformado em menino, ouve Yumi tocar flauta; são trabalhos dos alunos do 4º ano, do Colégio Pioneiro.

quinta-feira, junho 12, 2008

Presentes de seda

Além da sua generosa hospitalidade, Neide Medeiros me presenteou com três haicais. Um para cada conto que compõe o livro " Histórias Tecidas em Seda".
Em agradecimento, fiz esses sumiês para cada um dos haicais.



Vestido de seda
o pássaro do poente
cruza o azul do céu.







A flor solitária
deixa cair uma folha
na página em branco.
















Flores muitas flores
se diluem na paisagem
do Reino das Nuvens.

(Neide Medeiros Santos)

sexta-feira, maio 23, 2008

Álbum de família



Quando meu pai era moleque, chegou a fazer negócio com um vizinho, trocando um burrico por uma máquina fotográfica velha. E levou bronca do meu avô, pai dele.
Não sei se essa máquina era a mesma que ele usava para tirar nossos retratos, mas algumas cenas ficaram registradas. Como essa em frente à nossa casa de Asahi -1966.
Quem quiser ver mais, entre no meu site: http://www.luciahiratsuka.com.br
e vá para "artigos".
Conto um pouco desde a vinda dos meus avós para o Brasil.

quarta-feira, maio 07, 2008

Oficina- A arte do sumi


Dia 10 de maio, sábado, das 11:oo às 13:oo hs.
Local: Livraria Novesete
Rua França Pinto 97 Vila Mariana
A idéia é mostrar algumas pinceladas do sumiê e os participantes poderão experimentar essa tinta à base de fuligem vegetal.

Quem for conhecer a livraria por esses dias, poderá ver algumas das ilustrações dos livros mais recentes.
Depois da oficina, estarei autografando os livros.

Dois livros




Pode parecer que são três livros. Mas são dois.
O da esquerda "Os livros de Sayuri", é uma história inspirada em uma conversa de família, uma cena triste e poética ao mesmo tempo, que foi aos poucos crescendo como um projeto de livro.
O outro "Festa no Céu/Festa no Mar" traz duas lendas, uma brasileira e outra japonesa, cada uma começando de um lado.
Espero que os leitores descubram os vários sabores dentro desses livros.

Mochi e manju para boa sorte


No sábado passado, dia 03 de maio, estive lançando na livraria Casa de Livros, dois títulos:"Festa no Céu/Festa no Mar" (DCL) e " Os livros de Sayuri" (SM). Os meus amigos, Márcio Watanabe e Mário Brito, prepararam os mochis (que estão no centro); segundo a tradição japonesa isso traz boa sorte. E os manjus avermelhados simbolizam uma ocasião de comemoração.

quinta-feira, abril 17, 2008

Ilustração que ficou de fora










Acho bonito os bules de cafés antigos e fiquei tentada a colocar essa imagem na abertura de um dos capítulos do livro de Sayuri. Até me lembro que em casa tinha um, verde, com detalhe de uma flor. Mas essa imagem ficou de fora, encontrei uma outra mais adequada para o capítulo.

Sobre "Os livros de Sayuri"


Essa história se passa no interior de São Paulo, durante a segunda guerra. Apesar de ser uma ficção, minha mãe me ajudou muito com os seus depoimentos, tanto para escrever, como para ilustrar.
Soube que alguns lampiões eram improvisados com garrafas, os colchões eram feitos de palha de milho desfiado.
E eu, que me lembrava de ter brincado com latinhas vazias, caixinhas, vidros, pensei em colocar a personagem brincando assim. Mas, nessa época, esses objetos eram preciosidades para quem morava no sítio, usados como utensílios. Quando iam para a roça, minhas tias levavam o almoço numa latinha de manteiga.
Brinquedo? Folhas, sementes, sabugos de milho... Afinal, imaginação nunca faltou.

quarta-feira, abril 09, 2008

O carvão



Bem-te-vi

A minha sobrinha, de 9 anos, um dia veio me mostrar um desenho feito em lápis, imitando o jeito do sumiê. E, numa oficina, um garoto perguntou se poderia usar algum outro material para essa técnica. Eu expliquei que ele poderia assimilar a simplicidade.
Dessas duas conversas, eu mesma fiquei com vontade de fazer essa experiência. Usei o lápis 8B que é um grafite-carvão. A tinta sumi também é um carvão, porém líquido.