Quinta-feira, Junho 11, 2009

Capa

















A capa do livro " O violoncelista" foi definida. Mais uma vez, fiz um estudo, depois outro. Trocando idéia com os editores, optamos por não repetir a figura do músico que já vai no título.
Na postagem anterior falei sobre "romper". Goshu, o personagem desse livro, consegue isso entrando em contato com as suas emoções. E tudo acontece a partir das visitas que chegam, durante o seu ensaio, com pedidos inusitados .

Romper




































— O verdadeiro artista deve saber romper — são palavras do mestre Massao Okinaka com quem aprendi o sumiê e muito sobre arte. Romper e buscar o seu próprio caminho. Mas, como isso acontece? Em que momento e de que forma romper? E se não for a hora? Dúvidas estarão sempre presentes. Hoje eu acho que esse rompimento deve acontecer de forma natural. Quando menos esperamos, às vezes nem percebemos, somente depois de passado um tempo, olhando o nosso processo, notamos que algo novo nasceu ali.

Sábado, Maio 09, 2009

A professora

Uma amiga está organizando um livro, juntando memórias em homenagem aos professores. E eu me lembrei da minha professora de primário, na escola rural que eu frequentei por uns 3 anos e meio. No primeiro dia de aula eu nem dormi direito. Fui acompanhando uma vizinha, um pouco mais velha, meus passos quase flutuavam, mesmo pisando com chinelo de dedo em estrada de terra. Levava o meu caderno, lápis, borracha e uma marmita (importante, era pequena e redonda) dentro de um saquinho xadrez avermelhado, caprichosamente feito por minha mãe. Ao chegarmos na escola, aguardamos a chegada da professora. Até que um fusca cor de vinho se aproximou levantando poeira. Tão chique, o meu pai só comprava perua rural. A professora desceu, toda elegante, bonita mesmo, olhos cinza esverdeados, cabelos curtos desfiados e firmados com laquê. E quando ela chegou mais perto, senti um perfume suave. Um cheiro da cidade, pensei. Foi uma ótima professora.

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Um presente dos Roedores


Hoje recebi um presente muito especial, a resenha de "Os livros de Sayuri" no blog dos Roedores. Conheci Tino e Ana Paula durante o seminário "Prazer em ler", foi quando tiramos essa foto (o Tino bateu a foto). Depois disso é sempre uma alegria encontrá-los em feiras, bienais, eventos ligados aos livros. Quero convidar os meus amigos a ler as resenha que está uma delícia, recheada de palavras.

Quinta-feira, Abril 30, 2009

Kenji Miyazawa


Nunca cheguei a pensar em fazer uma tradução. Mas, um dia, por uma dessas felizes coincidências, fui parar numa oficina de tradução de poesia. E, como um exercício, traduzi alguns contos de Kenji Miyazawa. Adorei a experiência e também de conhecer um pouco do processo de criação desse autor. Ele escrevia sobre o que estava à sua volta, lançava um olhar especial para aqueles seres ainda em formação, seja pessoa, bicho, planta, pedra... E reescrevia várias vezes. Ele tinha interesses amplos, música era uma das suas paixões. Chegou a adquirir e aprender a tocar violoncelo, mas conta-se que, ao ver o instrumento velho e esburacado do seu amigo e professor, trocou-o pelo seu que era novo.

Gato e guaxinim















São personagens do conto " O violoncelista" de Kenji Miyazawa. O gato é bastante atrevido, uma noite chega à cabana do músico trazendo-lhe tomates colhidos na própria horta do jovem. E o guaxinim visita-o querendo aprender música, tem um jeito ingênuo e afetivo. Ambos são encantadores, adorei desenhar esses bichos.

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Exposição














Segue o convite para a exposição "Era uma vez... " que acontece no Centro Cultural Banco do Brasil e tem a curadoria da Katia Canton. São trabalhos de vários ilustradores e estarei participando com 5 originais.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Perfil Literário

A rádio Unesp traz um programa chamado Perfil Literário, um bate-papo descontraído com vários autores. O entrevistador é Oscar D'Ambrosio e quem quiser dar uma conferida, poderá acessar o site da rádio a qualquer momento.  

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Capas






























Este é o meu novo livro a ser lançado pela DCL, previsto para abril/maio. Mais uma vez, a capa deu trabalho. Ou melhor, a editora preferia deixar claro que se trata de uma história lúdica para pequenos leitores (3 a 6 anos?). A primeira sugestão foi uma mudança no título. Em geral, no máximo em duas semanas, se existe um título mais adequado, ele costuma aparecer. Não apareceu. Nenhum me convencia. O jeito foi trocar a capa, ficou valendo a segunda, que traz Muli maior. A opção foi por uma capa que mostrasse realmente que o personagem era um monstrinho, sem ter que dizer "monstrinho".

Palestras na Casa das Rosas

Ricardo Azevedo estará falando sobre o tema " Literatura infantil e sistema cultural dominante", no dia 04 de abril, sábado, às 20 horas. E Odilon Moraes fala sobre "Ilustração de livros: uma escrita feita de imagem" no dia 24 de abril, sexta, 20 hs. Para quem quiser mais detalhes ou saber sobre todas as atividades, é só conferir na agenda de eventos da Casa das Rosas

Quarta-feira, Março 25, 2009

Goshu


Goshu é um músico que não consegue acompanhar os seus colegas da orquestra e vive levando broncas do maestro. A imagem ao lado foi um dos estudos que fiz para este personagem. E como era um estudo, sem preocupação de pintar "certinho", um dos olhos saiu diferente do outro. Senti que isso poderia caracterizar o personagem... um olhar levemente torto e assustado. Está no original de Kenji Miyazawa "Goshu, com os olhos feito círculo", de tão arregalados e presos na partitura. Comenta-se que o autor pode ter se inspirado na palavra francesa "Gauche" para nomear esse violoncelista.

O violoncelista



Goshu é um personagem criado por Kenji Miyazawa, um autor clássico muito amado no Japão que faleceu em 1933, com 37 anos. Há um tempo tinha este conto,"O violoncelista", traduzido, uma vontade muito grande de ilustrar e apresentálo aos leitores. Agora esse desejo se concretiza. Tentei não fazer um lay-out muito acabado, apenas um esboço, pois queria manter as primeiras pinceladas mais cruas. E o papel que melhor se adaptou foi o sulfite comum, não muito adequado para aquarela, mas neste caso deu o efeito que eu queria. A palheta de cores ficou com um predomínio de azul e marrom.

Quarta-feira, Março 04, 2009

Aquarela e papel

Quem usa aquarela, às vezes se depara com um problema — o papel, se tiver uma gramatura baixa, enruga formando sombras na hora da digitalização. Aí vai uma dica. Você pode preparar o papel antes. Molhe com um pincel e cole com fita gomada, numa prancha de madeira sem verniz. Depois de secar bem, retire cortando as bordas; o papel vai estar bem esticado. E se preferir, pode pintar primeiro e fazer o mesmo procedimento pelo avesso.