Uma amiga está organizando um livro, juntando memórias em homenagem aos professores. E eu me lembrei da minha professora de primário, na escola rural que eu frequentei por uns 3 anos e meio. No primeiro dia de aula eu nem dormi direito. Fui acompanhando uma vizinha, um pouco mais velha, meus passos quase flutuavam, mesmo pisando com chinelo de dedo em estrada de terra. Levava o meu caderno, lápis, borracha e uma marmita (importante, era pequena e redonda) dentro de um saquinho xadrez avermelhado, caprichosamente feito por minha mãe. Ao chegarmos na escola, aguardamos a chegada da professora. Até que um fusca cor de vinho se aproximou levantando poeira. Tão chique, o meu pai só comprava perua rural. A professora desceu, toda elegante, bonita mesmo, olhos cinza esverdeados, cabelos curtos desfiados e firmados com laquê. E quando ela chegou mais perto, senti um perfume suave. Um cheiro da cidade, pensei. Foi uma ótima professora.